Lançado Projeto Amigos da Viola para a criação de uma orquestra musical composta por custodiados do complexo prisional de Aparecida de Goiânia

No lançamento do projeto, nesta sexta-feira, 30/08, a DGAP recebeu 20 instrumentos musicais que serão utilizados pelos presos na composição da orquestra, numa iniciativa que atende diretrizes do Governo de Goiás para a ressocialização no sistema prisional goiano

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O Governo de Goiás, por meio da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), realizou na tarde desta sexta-feira, 30/08, o lançamento do projeto “Amigos da Viola: O caminho de reintegração sociocultural e humanização do apenado”, que prevê a criação de uma orquestra de viola e violão formada por custodiados da Penitenciária Odenir Guimarães e da Penitenciária Consuelo Nasser, ambas instaladas no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

No evento de lançamento do programa, estiveram presentes várias autoridades parceiras da ação, entre elas a procuradora do Ministério Público do Trabalho em Goiás, Jane Araújo, que autorizou recursos financeiros para a formação e qualificação musical dos apenados que participarão do Amigos da Viola; o representante da Igreja Católica Ortodoxa, Arcebispo Dom Damaskinos Mansour; e a representante da Universidade Federal de Goiás, a servidora técnico-administrativa Nathália Rodrigues.

Durante o evento, a Igreja Ortodoxa de Goiás doou os instrumentos para o início do projeto. Ao todo, são 20, entre violas e violões, que serão utilizados pelos detentos participantes. De acordo com a Gerente de Educação, Módulo de Respeito e Patronato da Superintendência de Reintegração Social e Cidadania da DGAP, Michelle Cabral, já foram selecionados 11 presos para uma turma inicial de 20, com capacidade para ter até 50 integrantes na orquestra. Ela explica como o Amigos da Viola vai funcionar. “Os integrantes da orquestra passarão primeiro por um curso de capacitação para o uso dos instrumentos, com duração de 12 meses, cujo certificado de conclusão será chancelado pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Todos os custos da formação serão pagos com os recursos do Ministério Público do Trabalho, que doou o aporte financeiro”, afirma.

Após a formação da orquestra, os integrantes realizarão apresentações em palestras e eventos voltados para a própria população carcerária.

Para o diretor-geral de Administração Penitenciária, coronel Wellington Urzêda, o projeto tem muito a agregar no que tange à Reintegração Social dos presos participantes. “O envolvimento de custodiados em atividades como esta contribui, acima de tudo, para um enriquecimento cultural, um aprendizado de uma técnica valorosa e, claro, a oportunização de conhecimento de uma arte que pode ser utilizada para o bem, quando o preso concluir o cumprimento de sua pena”, destaca.

Durante a solenidade de entrega dos instrumentos, o diretor-geral adjunto de Administração Penitenciária, coronel Agnaldo Augusto, contou que a idealização do projeto surgiu há três meses. “Trabalhamos com desafios. Ao longo do tempo, buscamos nossos parceiros e outras instituições para estarem conosco. Contamos com boas pessoas, que abraçaram a proposta e que lutaram para a realização do projeto até aqui”, afirmou. “O nosso objetivo é construir, dentro do sistema, uma orquestra de violeiros que tenha condições de, adaptados à nossa cultura regional, realizar um trabalho de apresentações culturais. O nosso foco é oportunizar a vocês, participantes do projeto, a apresentação à sociedade de uma nova condição da pessoa que está cumprindo pena. O projeto vai quebrar um paradigma junto à sociedade. De forma prática, real e concreta, vamos mostrar uma nova perspectiva à sociedade”, concluiu.

Representando a UFG no evento, a servidora técnico-administrativa Natália Rodrigues, da área de Extensão e Cultura, tem a missão de aproximar a Universidade da parcela da sociedade que não tem acesso à instituição de Ensino. Ela disse estar feliz com o início do projeto. “Com certeza, o Amigos da Viola vai render bons frutos e vai contribuir para que o ambiente prisional se torne mais leve. É um projeto brilhante para os próximos passos de vocês fora desses muros”, disse. “Presencio aqui a concretização de direitos e garantias constitucionais e da própria Lei de Execução Penal”, completou.

O professor Pedro Sérgio, da UFG, um dos parceiros do projeto, durante uso da palavra, esclareceu a importância do Amigos da Viola para a população carcerária. “É fundamental que vocês tenham a consciência de que, quando saírem daqui, poderão dar o melhor de cada um à sociedade. O sistema prisional está apostando na arte. Amanhã vocês estarão tocando profissionalmente e sairão daqui com um certificado da UFG. Apostamos em vocês”, reforçou o docente.

O superintendente de Reintegração Social e Cidadania da DGAP, Leoni Caiado, destacou que tem buscado junto à gestão da Administração Penitenciária projetos que apresentem significativa alteração em relação à perspectiva negativa do sistema prisional brasileiro que tem predominado no consciente social do País. “Projetos desta natureza demonstram que as ações de ressocialização podem ser usadas como estratégia de prevenção contra a delinquência criminal.”

A procuradora Jane Araújo ressaltou, na ocasião, que um dos objetivos do projeto é a correta inserção do público no mercado de trabalho, de forma digna, ao final do cumprimento das penas. “É com muita felicidade que estamos participando deste projeto, que vai trazer um pouco de música para um lugar que naturalmente não é assim. Que essa esperança seja real na vida de vocês! Acreditamos que cada um pode fazer escolhas melhores. É com muita satisfação que o MPT coopera com esse projeto.”

Ao final da solenidade, o arcebispo Dom Damaskinos Mansour realizou uma oração e destacou sua perspectiva para o projeto. “Venho aqui para dar a benção à essa iniciativa de trabalho. É uma ideia muito nobre essa que começa hoje”, finalizou.

Fotos: DGAP

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